Quando o problema não é “só seu”: como as relações moldam o que você sente
TERAPIA SISTÊMICA
por Aline Farias, Psicóloga – CRP 07/26677
10/23/2025
Quando parece que tudo é culpa sua
Você já se pegou pensando:
“Por que eu sou assim?”
“Será que o problema sou eu?”
Essa é uma pergunta que escuto com frequência no consultório.
Muitas pessoas chegam acreditando que precisam “consertar” algo dentro de si: a ansiedade, a insegurança, a dificuldade de dizer não.
Mas, quando olhamos mais de perto, percebemos que o problema quase nunca nasce isolado.
Ele é tecido nas relações, nas histórias que vivemos e nos vínculos que nos moldaram.
A dor, muitas vezes, é individual apenas na forma como se manifesta, mas relacional na forma como se constrói.
As relações nos ensinam (mesmo sem palavras)
Desde cedo, aprendemos o que é amor, cuidado, valor e segurança — não apenas pelo que nos dizem, mas principalmente pelo que vivemos.
A forma como fomos ouvidos, acolhidos ou ignorados vai moldando, aos poucos, o modo como nos relacionamos com o mundo e conosco mesmos.
Se crescemos em ambientes onde era preciso ser “boazinha” pra ser amada, é natural que hoje exista medo de se impor.
Se aprendemos que emoções eram “drama”, é comum sentir vergonha de chorar ou demonstrar fragilidade.
Esses aprendizados emocionais se tornam padrões de funcionamento invisíveis, que carregamos para os relacionamentos, o trabalho, as amizades e até a forma de cuidar de nós.
Olhar sistêmico: compreender sem culpar
Na terapia sistêmica, não buscamos culpados, buscamos compreensão.
Cada comportamento tem um sentido dentro da história de alguém.
Aquilo que hoje parece um problema (“eu me anulo”, “eu explodo”, “eu me cobro demais”) um dia foi uma estratégia de sobrevivência emocional.
Entender isso é libertador.
Porque, quando você compreende de onde vem o que sente, deixa de se ver como defeituosa e passa a se enxergar como alguém que aprendeu a lidar da melhor forma possível com o que viveu.
E, a partir desse reconhecimento, algo muda: surge espaço para novas escolhas.
A mudança começa no vínculo
A psicoterapia é, muitas vezes, o primeiro espaço onde alguém experimenta um vínculo verdadeiramente seguro:
- onde pode falar sem medo de julgamento,
- ser ouvida sem precisar agradar,
- e sentir sem precisar se justificar.
É nesse espaço que começa o processo de reparar vínculos internos e externos,
porque, quando somos acolhidos de verdade, aprendemos também a nos acolher.
Você não precisa carregar tudo sozinha
Entender que o problema não é “só seu” não é se eximir da responsabilidade, mas compartilhar o peso.
É olhar para suas dores com mais gentileza e reconhecer que o que você sente tem história, contexto e motivo.
A cura não está em se culpar mais, mas em se compreender melhor.
E, a partir desse entendimento, aprender novos jeitos de se relacionar consigo, com o outro e com a vida.
Se você tem se sentido sobrecarregada, repetindo padrões que não entende, ou sentindo que “não consegue mudar”, talvez o primeiro passo seja olhar pra isso de forma diferente.
Nem tudo que dói é culpa sua.
Mas quase tudo que dói pode ser transformado: com consciência, cuidado e novas experiências de vínculo.
Quer compreender suas emoções e relações com mais profundidade?
A psicoterapia pode te ajudar a construir um novo olhar sobre você e sobre a forma como se relaciona com o mundo.
